Entrei no colégio já sabendo ler e escrever e depois que me habituei àquele novo lugar era uma diversão! No começo ficava com medo daquelas crianças baderneiras e gritonas, imagina! Eu só aconhecia a Aline, que era quieta como eu e meus primos que, bem, eram meus primos e eu já estava acostumada a eles! E eu ficava sozinha no colégio, sem ninguém para me paparicar... sempre que a professora saía eu ia pra porta e esperava ela entrar para voltar para minha carteira. Mania essa que trouxe do jardim de infância (que cursei no colégio Anita Garibaldo), e que me proporcionou meu primeiro acidente estudantil: a “tia” Marisa havia dado uma saída e eu, claro, fui correndo pra porta. Acontece que meus colegas todos vieram atrás de mim e alguém acabou me empurrando, dei de boca no pilar e rasgou minha gengiva de fora-à-fora! Nossa, foi tri emocionante... hihihi
A profe da primeira série era bem diferente da tia Marisa, do pré. Ela era chata pra caramba! Ops, escapou! Acho que ela não curtia com a minha cara, mas eu também não ia muito com a dela, e aquilo até me encomodava um bocado naquele tempo, mas hoje vejo que estávamos quites. E se um dia ela ler isso – o que duvido - saiba que não foi com a senhora que eu aprendi a ler, viu professora Cláudia! Foi com a minha vizinha Rosângela e ela ensinava muito melhor que tu!!! Nossa, ás vezes sei ser cruel... hehe
Até a quarta série estudei no mesmo colégio, que ficava perto de casa e onde no começo meu avô me levava de carro, mas a partir da 3ª série comecei a ir de ônibus com a Aline – independência! Foi ali que conheci pessoas que me acompanharam por muito tempo. A Sharon, a Michele morena, a outra Michele e a irmã dela Helen ( que eram filhas de uma amiga da minha mãe e cuja casa eu vivia indo para escutar o último LP ( nossa!) de Sandy e Junior, a Paula, os gêmeos Luciane e o Luciano – mais tarde conhecido apenas por Lôlo e pelas atividades ilícitas que praticava, mas que não impedia as garotas de babarem por ele - inclusive eu!, a Renata que era amiga do primeiro gurizinho que gostei... ah é, já ia me esquecendo... o Alex! Um menino baixinho, cabelos pretos e olhos arregalados, que na verdade se chamava Alexsander e era esquisito pra cacete, mas tinha muitas gurias que achavam ele uma gracinha e eu não podia ficar para trás, né?! Eram cenas patéticas aquelas em tentávamos chamar a atenção dele, gritávamos descontroladamente quando ele estava perto para ver para quem ele olharia! Nossa, criança é capaz de cada coisa! Ele morava na frente do colégio e ás vezes íamos pra frente da rua que dava na casa dele fazer alvoroço. Uma vez tomamos uma chingada da mãe dele, que até tinha muita paciência com o bando de pentelhas que ficava atrás do filho dela...
Mas isso passou, como tudo passa na vida das pessoas (nossa, isso foi profundo!). Depois dele vieram muitos outros dos quais nem me lembro o nome! Apenas “introduções” de grandes amores platônicos que tive um pouco mais tarde...
Mas apesar de conhecer muitas pessoas, andávamos sempre no mesmo grupinho: Aline, Sharon, Michele morena e eu! O coléginho ficava no pátio da igreja e era em volta dela que corríamos quando brincávamos de pega-pega e “fita” – nooooossa, quem se lembra desta? Aquela do anjinho e do diabinho, onde eu sempre chorava quando levava “agulhadas” nas palmas das mãos. Também era atrás dela que brincávamos de esconde-esconde e onde tinha um portão velho enferrujado onde nos agarrávamos e uma de nós descia aquilo até o chão com as outras penduradas, até que um dia aquilo caiu por cima de nós e ficamos de “mau” com nosso brinquedo e nunca mais o procuramos. Também era atrás da igreja que tinha uma casa onde vivia um peru, íamos pelo menos uma vez no dia na frente da casa gritar pra ele fazer aquele glu-glu-glu que a gente achava o máximo. Hoje o máximo é lembrar de nós gritando na frente da casa do coitado do dono do peru! Provavelmente meu primeiro “paga – vale!”...
Foi nesse colégio que tive a primeira professora memorável da minha vida, a “sora” Teresinha. Na 3ª série ela falava sobre sexualidade com a gente e dava trabalhinhos fantásticos para fazer, amava as aulas dela! Fiquei muito triste quando no ano seguinte soube que não seria mais ela nossa professora – e sim uma outra, cujo nome não me recordo ( lembrei! Era Beatriz...) mas que era mãe da Raquel, que veio a ser minha professora de matemática na 5ª ou 6ª série, já em outro colégio(cujas recordações são beeeeem melhores...)
Mas o colégio Luis Gama foi um marco. As festas juninas, as filas para cantar o Hino Nacional na semana da bandeira da Bandeira (eu adorava porque sabia o Hino de cór e adorava mostrar, sempre era elogiada pelas professoras), a correria na educação física, as tias da merenda (que nunca comia) como a tia Maria – que até hoje me reconhece - e uma outra moreninha que não recordo o nome, a Mara que era da secretaria e com quem tentei desvendar minha primeira crise de existência (perguntei uma vez no recreio o que nós éramos na verdade e o que fazíamos neste mundo tão grande – nossa, eu já era um gênio!), a diretora Júlia, a famosa beiço-de-cavalo, odiada por todos – e por mim também, claro (obs: foi neste colégio que aprendi o significado da expressão “maria-vai-com-as-outras”, hehe), o velório de um tiozinho que foi feito na casinha onde ficavam as tias da faxina e onde comemorávamos as festas juninas (corria o boato que deixaram o caixão em cima da mesma mesa onde colocavam os pratinhos de doces e salgados das nossas festinhas!), nossa aquilo foi noticiado de boca em boca(dos 6 aos 10 anos muito bem informadas) e voltava sempre com mais detalhes, um mais bizarro que o outro.
Muitas lembranças boas e engraçadas (fora as da professora Cláudia!) que tenho que parar de contar porque senão em vez da história da minha vida, terei que escrever um outro livro chamado “as memórias do antigo colégio Luis Gama”.
E foi assim que terminei a 4ª série.
Hei, agora me lembrei daquela outra história que... ah, deixa pra lá...
P.S: se alguém daquele tempo ler isso, me procure por obséquio, tenho tanto para relembrar...
Fim do 2° ato.


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