Minha infância foi quase perfeita. Digo “quase” porque era algo bem doloroso o esquema da separação de meus pais. Meu pai me buscava a cada 15 dias para passar o fim de semana comigo e eu nunca queria voltar para casa. Muitas vezes lembro de ter proposto fugirmos pra nunca mais voltar, mas em seguida lembrava dos meus avós e voltava à realidade. Não que isso me fizesse muito compreensiva. Teve uma época em que eu estava bem revoltada (não devia ter mais que 6 ou 7 anos), e ao retornar para casa não cumprimentava ninguém e ficava emburrada em um canto. Acho que nestes dias fiz meus avós e minha mãe sofrerem bastante.
O que mais gostava era de ir para a casa da vó Maria, mãe do meu pai. Lá encontrava meus primos e era uma festa! Os que eu mais gostava eram a Eliane, a Wânia e o Wanderson. Mas tinha 2 que eram minha vida e que só conseguia ver quando meu pai ou meus tios me levavam a um municipio chamado Nova Santa Rita, que fica localizado próximo a Canoas: a Elidiane – Lidi - e o Peterson – Pet. Nossa, minhas melhores lembranças foram certamente as que passei naquele pequeno fim-de-mundo!
Mas em casa também era ótimo. Eu era a princesinha dos meus avós, reinava absoluta naquele espaço, que faz pouco tempo deixou de ser nosso –minha mãe trocou-o por uma casa mais próxima da “civilização”.
Era um sítio – gigante para mim - onde me criei sozinha, sem criança nenhuma para dividir atenção ou espaço. Meus avós me davam de tudo do bom e do melhor. Faziam rancho – e era O Rancho!- todo sábado e sempre vinha recheado de coisas para mim: bolachinha recheada, salgadinho, bala, chiclete, brinquedos... Claro, sempre ia junto e pedia para meu avô me dar um monte de besteiras – e ele me dava!
Tinha uma vizinha quase da minha idade, a Aline, com quem eu brincava muito. Ora na casa dela, ora na minha, inventávamos brincadeiras que até Deus duvida! Era uma diversão à parte, já que também éramos colegas de aula e embora andássemos sempre juntas, vivíamos brigando. Coisas de criança... hoje a Aline já é mãe de duas menininhas...


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