A Little About Me.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Postado por Gysaaa_ às 13:14 0 comentários
À quem está lendo este blog, peço desculpas por não atualizá-lo muito, mas queria expor a razão: quero postar estas histórias conforme foram acontecendo, portanto, tenho um rascunho em casa com vários capítulos inacabados, que vou completando conforme lembro ou me 'inspiro'...
Mas tenham paciência que logo postarei novas histórias...
Bjs

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A Segunda Perda

Postado por Gysaaa_ às 08:19 0 comentários

Dormia no quarto dos meus avós, numa cama de solteiro ao lado da deles (agora sem ele). Uma madrugada me acordei com minha mãe e minha vó acordadas ao pé da cama. Ao que me pareceu inicialmente, minha avó estava com dor e minha mãe ao lado dela tentava compreender e convecê-la a ir ao hospital.
Naquela manhã minha avó foi para o hospital onde trabalhava e não voltou mais para casa. Mas antes tivesse sido tão rápido assim. No começo os médicos não detectaram o que ela tinha, minha mãe achava que era pontada ou algo assim. Mas descobriram então que era câncer, de mama no início, mas que àquela altura já havia se espalhado por todo o corpo. E minha avó sabia disso. Ela havia feito o exame já a algum tempo e deu fim nos resultados sem dizer uma palavra. Decidiu que morreria assim que a doença quisesse sem se importar se a filha dela ou sua neta vissem ela morrendo aos poucos. E foi o que aconteceu: primeiro perdeu a visão, em seguida a audição, depois a voz, o tato e os demais sentidos. Só o que sentia era dor, até que uma manhã veio a falecer. Tudo isso durou 22 dias. Pouco para quem já devia estar doente a tanto tempo, mas muito para a familia que vê sua matriarca se deteriorando de pouquinho em pouquinho...
Naquele dia cheguei do colégio e minha mãe me deu a noticia entre lágrimas, apesar de parecer conformada. Eu também me conformei, embora não com facilidade, mas quando tudo o que a pessoa que a gente ama sente é dor quando não está sedada, a morte parece ser um descanso para todo esse sofrimento...
Ficamos então definitivamente no sítio. Perdi meus avós com uma diferença de 3 meses e de repente uma nova vida se descortinava na minha frente. Tivemos muito apoio dos parentes, poucos mas importantíssimos para aquele momento. Minha mãe resolveu reformar a casa para abrigar uma familia maior – pelo menos mais um quarto era necessário, mas tudo acabou ficando mais amplo – mas depois das obras e daquela função que até deixava a casa com ar mais descontraído, a casa se tornou espaçosa demais – e mais “fria”, talvez....

Mudanças

Postado por Gysaaa_ às 08:09 0 comentários

Os dias iam passando e as coisas se acalmando, embora com dificuldade... minha avó não queria ficar sozinha no sítio e pediu para minha mãe e o seu Nilton fazerem uma casa ali para ficarmos com ela. Fiquei sabendo então como exatamente meu avô faleceu : ele estava capinando a grama da frente e de repente se sentiu ruim. Disse pro tio Zé (marido da Tereza) que ia se deitar um pouquinho e se aquietou no sofá-cama da varanda. Quando minha avó chegou estranhou ele estar “dormindo” aquela hora, pois sempre a esperava no portão com o chimarrão pronto. Foi quando tentou acordá-lo e não conseguiu.
Disseram que ele morreu de tristeza, por achar que eu ia ir morar com minha mãe. Não sei se é verdade, até acho que é pura dramatização dos fatos, mas será que se eu tivesse em casa eu teria conseguido fazer algo, teria conseguido pelo menos alguém para ajudar a levá-lo ao médico a tempo? ...
Fomos então morar no sítio. Minha mãe me tirou do STJ e me matriculou no colégio que ela própria havia estudado no ensino fundamental, o Pacheco Prates. Como havia repetido, ia fazer novamente a 5ª série, mas estava empolgada.
A Rose e eu estávamos cada vez mais próximas e foi ela quem começou a dar palpite nas roupas que minha mãe me dava. Comecei a virar uma menina “de verdade”, quase fiquei vaidosa... meus 12 anos marcaram uma nova etapa em minha vida: comecei a me interessar por poesia e meninos de forma não tão infantil, platônico ainda, mas menos ingênua...
A Ariane, minha prima que morava no Rincão (bem próximo da minha casa) começou a frequentar o sítio junto com seus pais, o que distraía um pouco minha mãe e minha avó.
Eventualmente ouvia minha avó chingar a memória do meu avô, dizendo coisas que eu não entendia, mas que mesmo para minha pouca idade me parecia carregado de ressentimento. Anos depois vim a saber que meu avô mantinha outra familia, inclusive com uma filha que regulava de idade com minha mãe... fiquei chocada sim, mas o que ele fez não borrou muito a imagem dele comigo, pois apesar de entender que ele foi desleal com minha avó – que não merecia- , ele foi um ótimo avô para mim e eu não sou ninguém para julgar as atitudes dos outros.
Estava já 3ª ou 4ªsemana de aula quando um novo acontecimento abalou ainda mais o que restou de minha família grande e feliz (para os meus padrões): dessa vez foi minha avó que resolveu nos deixar...

Primeira Grande Perda

Postado por Gysaaa_ às 08:08 0 comentários

Meu avô estava “passando mau” e voamos para lá. Quando chegamos, percebi que havia gente demais para alguém que aparentemente apenas “passava mau” e então comecei a entender. Já desci do carro do seu Nilton chorando, acompanhada pela minha mãe e logo o Christian (nosso vizinho lindo e loiro, dono de maravilhosos olhos azuis e por quem vim a me “deslumbrar” no ano seguinte) veio me abraçando. Não teria melhor resposta para minhas perguntas, né? Não quis entrar em casa, mas foi inútil porque assim que bati os olhos nas pessoas que rodeavam a entrada de casa vi o corpo do meu vô sendo trazido para dentro de um carro. Lembro até hoje de seus pés, pálidos e imóveis, a única coisa que consegui enxergar, porque a Rose estava abraçada em mim e me tapava parcialmente a visão.
Mais doloroso que isso foi ver minha vózinha, em pânico e totalmente descontrolada, logo ela que era tão acostumada a ver isso todos os dias no hospital e que tinha um jeitão que parecia ser capaz de se controlar mais que qualquer um ali... isso acabou comigo!
Depois soube que levaram ele para o hospital, porque minha avó aplicou vários métodos de ressussitação e conseguira um tímido sinal do coração. Mas não era nada, e quando eles voltaram mais tarde foi só para dizer que o velório seria no dia seguinte.
Aquela foi uma noite bem longa... não conseguia chorar, na verdade nem conseguia realmente assimilar a gravidade da situação. Acabara de perder a pessoa que era um pai para mim e não me tocava disso! Estava aparentemente anestesiada, sem noção das coisas... apenas me agarrei na Harpa Cristã e na Bíblia dele e assim fiquei por muito tempo, nem sei quanto, sentada no escuro na mesma sala em que provavelmente ainda naquela manhã ele havia orado - meu avô levantava pontualmente ás 6h, todos os dias, e antes de qualquer coisa se ajoelhava ali na sala e orava por muitos minutos, dizia ele que para agradecer por cada dia proporcionado e para dizer que estava preparado no caso de um dia não poder mais acordar...
Foi a Rose quem me tirou dali e me levou pro ar da madrugada, e no caminho entre a casa e o portão me falou de um livro muito bom chamado “ Violetas na Janela”, que explica para onde vamos depois que morremos e que é contada por uma menina que morre aos 19 anos de idade. Disse que depois que a poeira baixasse me emprestaria o livro para eu poder entender que a morte não é necessariamente o fim, mas sim o começo de uma nova vida, até melhor do que esta.
Minha mãe estava alheia a mim e a todos. Não a condeno, claro que compreendo que ela estava envolvida com muitas outras tarefas, como organizar a papelada para o enterro, acalmar minha avó e controlar a si mesma. Mas fiquei triste no dia seguinte, quando em pleno velório ela me disse que eu não havia chorado por pensar que iria ganhar uma herança. Nossa, aquilo me magoou muito, nunca havia pensado em ganhar nada, e hoje acredito que a maior herança que meu avô poderia me deixar ele deixou, foi minha educação. De qualquer jeito, muita gente deve ter estranhado o fato de eu não ter me emocionado, e sinceramente acho que foi melhor assim, porque depois de muitos outros livros espiritas após “Violetas na Janela” sei que o espirito precisa de paz para seguir seu caminho, se eu também estivesse tendo um troço, certamente embaçaria o atalho para sua nova vida... as vezes me pergunto se algum dia ele imaginou que haveria mais além desta vida, já que ele era evangélico, ou se na verdade sabia mais que qualquer um de nós e por isso mesmo rezava todo dia ao amanhecer.

Sister Rose

Postado por Gysaaa_ às 08:07 0 comentários

Quase no meio daquele ano de 1997, conheci uma pessoinha que foi, para dizer o mínimo, uma das mais importantes na minha vida. E ainda é, embora já não a veja com tanta frequência (p.s: que raio! Agora com essa tal de reforma ortográfica nunca sei se ponho ou não trema e acento onde não precisa mais! Sei lá se já me adapto ou espero até 2012...)...
Minha mãe começou um rolo com um “senhor” chamado Nílton, amigo de nossos vizinhos e que de uns tempos para alí começou a visitá-los quase toda a semana... pois bem, minha mãe em seguida me disse que estava de namorico com ele, 20 anos mais velho e viúvo a seis meses. Mas deixou claro que ele tinha uma filha de 15 anos que ainda não poderia saber disso, então se viéssemos a ficar amigas, não era para eu abrir a boca.
Pois bem, conheci a Rose em uma linda tarde em que eu usava um belíssimo short verde-limão (o que mais tarde ela me confessou ter deixado-a com a impressão de que eu era uma retardada! A partir daí comecei a pensar que de repente meus colegas até tivessem motivos para rir de mim...)! hihi... mesmo me achando uma “looser” ela me tratou tri bem e eu simplesmente fiquei nas nuvens (fazia tanto tempo que ninguém do meu meio escolar me tratava bem...).
Adorei ela desde o início e contava os dias para que chegasse o fim de semana e eu pudesse vê-la de novo. Ela também se dava muito bem com a Deize, filha dos tais vizinhos que o seu Nílton era amigo, o que me dava uma sensação muito ruim – que mais tarde vim a descobrir se chamar “ciúme”. Mas também gostava da Deize e elas começaram a me levar para dar voltas com elas na rua.
Enquanto isso, minha mãe e o pai dela estavam cada vez mais “atracados”, só ela não percebia. Uma vez estávamos na casa da Tereza, minha antiga vizinha que era tri bagaceira e todo mundo da rua vivia na casa dela bebendo e brincando, enquanto os demais faziam um churrasco na casa do pai da Deize (até meus avós estavam lá), quando falei pra Rose que queria ir em casa pegar algo (não lembro mais o que era né, faz 12 anos!). Quando ela se virou, a Tereza me alertou que minha mãe e o pai dela estavam lá! Putz! Tentei voltar atrás, falei que não era urgente, mas ela disse que era pra gente ir logo. Quando estávamos no meio do pátio, apareceram os dois bem abraçados e ficaram com aquela cara de tacho! A Rose ficou surpresa, claro! Tinha acabado de perder a mãe, e o pai já saracoteando de novo, é compreensível...
Ela ficou de cara um tempo, mas durou pouco, acho que ela gostava da minha mãe. No fim eu fiquei tri faceira de poder dizer pra todo mundo que ela era minha irmã! Nos dávamos suuuuper bem...
Não demorou muito, minha mãe foi morar na casa deles, na Lomba do Pinheiro. Fiquei com os meus avós, mas ia pra lá de vez em quando. Dormia no quarto dela e foi aí que peguei uma mania que me acompanhou por muito tempo depois: ouvir o Love Songs e o Pega Leve, programas da rádio cidade. O primeiro tocava músicas de amor, dava recados de pessoas apaixonadas (e descornadas, categoria em que eu participei 3 anos após), contava histórias românticas e tal, e o segundo tocava músicas antigas e suaves toda a madrugada.
Fui passar lá minhas férias de verão. Era show! A Ro e eu conversávamos até alta madrugada e ela enchia meus cabelos de bobs!
Passamos o Natal com meus avós e seguimos para lá. No dia seguinte, à tarde, recebemos um telefonema que mudaria radicalmente minha vida, tão tranquila até então...

Bullying

Postado por Gysaaa_ às 08:06 0 comentários

Quando passei para a 5ª série, meu avô me matriculou num colégio particular, o Santa Tereza de Jesus (STJ).
Ansiosa por fazer novas amizades, acabei inventando uma vida nova pra mim, dizendo coisas incríveis e fantasiosas. Não demorou para o tiro sair pela culatra e eu ser taxada de pobre, mentirosa e caipira( puxava o “r” naquele tempo e quem me vestia eram os meus avós – até então eu nunca liguei para moda e coisas do tipo.).
Meus colegas e alunos de outras séries riam de mim e faziam brincadeiras de mau gosto, e não adiantava pedir para pararem ou reclamar para as diretoras. Comecei a andar com um pessoalzinho da 3ª série, a Paloma e uma outra garotinha que não recordo o nome. E a Janiene, da 7ª série, que não ligava para o que os outros diziam.
Até tinha umas gurias que tentavam se aproximar, a Giuliane, a Viviane e a Gabriela Pinheiro, mas tinha outras que andavam comigo só pra me zoar, como a Sílvia e a Marlova(com este nome, eu que devia zoar ela!).
Aquele ano foi um inferno. Detestava trabalhos em grupo porque eu sempre sobrava, e não conseguia mais prestar atenção nas aulas. Comecei a deixar as provas em branco e tirar zero em tudo, logo eu que nas etapas anteriores nunca tirava menos que 8. Lá a nota era dada por letras, mas logo percebi que I (insuficiente) também servia para “infeliz”, quanto mais se distanciava os MBs(muito bom) que tirei no inicio do ano.
Me apaixonei (será mesmo?) por dois garotos da sala. Primeiro foi o Lucas. Ele era uma gracinha, magrinho, cabelos pretos e cortado tipo chanel (mas não gay) e carinha de gurizinho. Apesar de saber que a Giuliane gostava um pouco dele não medi esforços para fazê-lo sentar ao meu lado na sala(sentávamos em duplas). Como ele não viria espontaneamente, falei com a professora Cláudia (de matemática e biologia) que a Sílvia conversava demais e que se eu sentasse com o Lucas melhoraria meu desempenho. Pois bem, ela resolveu fazer espelho-de-classe e colocou o Lucas ao meu lado. Ele detestou, é claro. Ficou se lamentando o 1º dia todo e nem olhava pra mim, mas eu nem ligava, tinha vencido. Depois de um tempo começamos a conversar e sei lá, nos demos bem. Acho que ele percebeu que apesar de eu ter a popularidade em alta (por um péssimo motivo) eu podia ser legal. Uma vez ele até me defendeu das piadinhas maldosa da Sílvia e da Marlova, que agora sentavam juntas e passavam a aula toda rindo de mim. Babacas! Acabou que o Lucas e eu começamos a conversar demais e a sora fez novo espelho-de-classe, desta vez para nos separar. Mas eu já nem estava mais dando bola para ele, apesar de ele ter sido bem legal. A bola da vez era o Bruno, que as gurias diziam que era estranho e tinha a cabeça quadrada, mas que era o palhaço da turma e eu sonhava em fazer parte da turma que andava com ele – os populares. Este nunca falou muito comigo, até me tratava melhor depois de um tempo, quando sentei com o Lucas, mas me anojei dele sozinha.
Tinha um garoto especialmente irritante chamado Tiago. Aquele ser não podia me ver que vinha atormentar, adorava se ver fazendo palhaçadas, o idiota. No começo ficava mau, com vergonha, depois parei de dar bola conforme as piadas iam ficando cada vez mais clichês.
Eu gostava muito da Giuliane e este era o ponto fraco em que a Silvia tocava quando queria me ferir. Uma vez ela estava me dizendo que iria falar para a Giu que eu tinha falado horrores dela e mais um monte de mentiras, fazendo ameaças claras em plena sala. Daqui a pouco chegou a Giuliane com a Viviane (que ouviu tudo e contou pra Giu, que era a melhor amiga dela) e deu uma “mijada” na Silvia. Nunca mais ela fez intrigas entre nós.
Conheci pessoas bem caricatas, como a Cristiane, uma loira enjoada com sobrenome difícil, com quem aprendi a palavra “patricinha”, e a melhor amiga dela, a Simone Thomé, que tambem era paty, mas bem menos arrogante e até simpática quando queria. Conversamos algum tempo, até fizemos um trabalho juntas se não me engano, mas acho que foi só pra mim ver que nem todo mundo era tã mal assim. Na verdade muitas meninas se aproximaram de mim naquela época, porque foi em 1997 que estourou a novela “ Chiquititas”, e todas éramos viciadas nela! Mas eu tinha muito mais material colecionável que elas, então ficavam perto de mim por causa disso. Até que montamos um fã-clube e elas resolveram juntar o material que cada uma tinha. Perdi muita coisa, e resolvi sair antes de extraviar mais...
Eu sempre fazia a feira-de-ciências do colégio com a Sílvia e era sempre um fracasso. Quando estavam preparando a última feira do ano (cuja nota eram os demais alunos da escola que davam e que pra minha antiga dupla sempre oscilava entre R (regular) e I, mas que agora definitivamente eu precisava dela pelo menos um B para não rodar) a Janiene e as pequenas da 3ª me aconselharam a fazer sozinha. Elas disseram que iriam me ajudar e até algumas gurias da minha sala colaboraram, como obviamente a Giuliane e a Gabi Pinheiro. A Janiene morava num apartamento ao lado do colégio e disse que me emprestaria uns bichinhos de plastico que ela tinha (o tema da feira era o ecossistema), que eu só precisava comprar uma folha de isopor para fazer a maquete e cola, erva de chimarrão (para fazer a grama), canetinha, cartolina e palitos de picolé(para as plaquinhas explicativas de cada ecossistema).
Combinamos uma manhã na biblioteca do colégio (estudávamos a tarde) e foram todas elas. Só pude montar a maquete até um pouco depois da metade, porque meu avô me esperava e eu não podia demorar. “tudo bem”, elas disseram, “a gente termina pra ti”. À tarde já era a feira e eu quase chorei ao ver a maquete perfeita quando elas me entragaram e me desejaram boa sorte.
A feira foi um sucesso e só recebi MB de todos os alunos. Mas o que me importava era que as meninas tinham se mobilizado para ajudar a “caipira pobre” num projeto que a salvaria de repetir de ano. Não salvou. Repeti em matemática. Meu primeiro grande fracasso escolar.
Também tirei proveito de tudo o que aconteceu naquele fatídico ano de 1997. Aprendi que não devemos destratar as pessoas por elas serem diferentes, e senti isso na pele, por isso nunca repeti tamanho erro. Também aprendi a separar pessoas individualmente, sem integrá-las somente num grupo. E aprendi anos mais tarde que as pessoas que me maltratavam sofrem de uma doença chamada bullying, e hoje realmente tento esquecer tudo pelo que passei. Aprendi que crianças podem ser cruéis se quiserem. Aprendi que é nessa fase em que precisamos de uma boa estrutura familiar e social, pois é justamente ai que estamos moldando nosso caráter (tenho dó de certas pessoas daquela época, certamente hoje elas têm um caráter fraco demais para perceberem o quanto estavam erradas). Entendi que temos que ser sempre nós mesmos, independente do meio social em que nos encontramos, porque se formos tentar ser outra pessoa, essa nova personalidade pode não ser bem aceita, e ai você será discriminado por alguém que nem vale a pena, que na verdade nem existe. Só não entendi porque Deus resolveu tirar meu avô de mim justamente quando mais eu precisava dele, e ainda mais no fim daquele ano em que o decepcionei, jogando fora todo o tempo e o dinheiro que ele investiu em mim naquele 1997.

Uma Pequena Leitora

Postado por Gysaaa_ às 08:05 0 comentários

Meu avô sempre me incentivou à leitura, principalmente quando a filha da nossa vizinha, dona Olga, foi morar no pátio com os filhos adotivos. A casa dos fundos era ao lado da nossa e em pouco tempo eu era frequentadora assídua da casa da Lídia. A filha do meio dela era mais nova que eu, mas adorava brincar com ela. Se chamava Dilca e, assim como os outros dois, era filha adotiva. Ela tinha um monte de brinquedos e uma sala repleta de livros. Sala que hoje é meu sonho ter na minha futura casa.
Toda a semana ela me emprestava dois livros para ler. Eu esperava anciosa terminar aqueles para pegar os próximos, e ainda nem sabia ler direito, estava recém aprendendo com a Rosângela, minha vizinha que tinha feito magistério mas que lecionava só pra mim.
Até hoje aquelas tardes em que ficava lendo os livros da Lídia se refletem em mim. Sou uma leitora assídua, leio de tudo, de Stephenie Meyer a Dostoiévski, e este é o único sentido de minha vida em que sou totalmente satisfeita.
 

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